Polvadeira (título
presumido)
Ney Machado
(Enviado por Ricardo Morim
e interpretado por Rolando Boldrim disponível em: https://youtu.be/0-UArplJRCo?t=45
Um dia, levantando polvadeira,
Deixei meu chão, lá na fronteira,
E parti, em direção ao povo
Minha gente, ao pé da guajuvira
abanava pra mim, que descobrira um outro mundo
um mundo todo novo,
e vinha eu, cheio de sonhos,
planejara vender o meu cavalo malacara,
virar povoeiro, e
recomeçar
Chegara o dia do índio ir-se embora,
e a meia rédea, pela estrada afora,
Batia esporas, louco pra chegar,
Cheguei, mas a vida diferente na cidade,
foi me mostrando a dura realidade,
dos que andam sem rumo, atoa por aí,
sem saber onde moram, nem o que comem,
a triste civilização matando o homem,
ensina-lhe a sofrer, desde guri
Nesta selva de pedra, nesta selva pura,
É como pelejar em noite escura,
A guerra é suja, e a munição é pouca
E eu, triste personagem desta história,
Vou misturando imagens na memória,
Imagens da minha terra, e desta cidade louca,
Meu Deus, vê se me acode,
e me explica senhor,
como é que pode um homem como eu
Viver aqui, eu quero ir lá pra fora
e naquele lagoão da pedra branca
pescar traíras junto ao sarandí
E no dia que eu voltar, e isto é certo,
quando avistar a guajuvira perto
Roupas rasgadas mas os pés no chão
Hei de gritar de alegria na chegada
Aqui é o meu lugar, aqui não falta nada
Não falta amor, não falta fé, e não falta pão