ESSA TERRA TEM DONO

Dara Neto

Não vejo no horizonte
marcas do passado,
nem ocas, nem arcos e flechas.
Vejo a cinzenta e histórica batalha.

Alguns túmulos sem nome,
Solitárias cruzes no campo
São plateia para a sinfonia dos sapos
A beira da sanga,
Lamentando a morte do líder.

Dizimaram a nação de Sepé.
Dos poucos que restaram,
Ignorados pelo homem branco 
Hoje habitam corredores.

Ao exército imperial a glória 
Ao índio dono da terra, as migalhas.
Que triste legado!
Mancha negra em nossa história 
Escrita nas alvas páginas dos livros.

Os sapos choram
a batalha e morte de Sepé,
Que na sina de guerreiro 
Confrontou tropas 
Com força e coragem
Dos índios guaranis.

Hoje o passado confronta o presente.
Um monumento erguido 
Retrata o heroi,
Que entoava seu grito de guerra
Com a lança na mão.

À beira da sanga
Sobre um moeirão,
A coruja escuta a sinfonia 
Dos sapos, que lamentam
A ganância do homem,
Que por orgulho distorce a história.

Por certo o gaúcho
Com amor pela sua terra,
Reconta as façanhas do 
Índio guerreiro
E hoje entoa o grito de luta:
"Essa Terra tem Dono”
e é do povo gaúcho!