Lembranças do meu Avô
Brenda Luiza Moreira Magni
Olhos
perdidos a contemplar o horizonte,
Palheiro
aceso entre os calejados dedos,
Cabelos
ralos, olhos fundos, corpo franzino.
Sentado em
um pequeno banco
Na sombra
da velha figueira
(que de tão antiga,
Chegava a esconder a velha tapera).
Esta
é a imagem que me recorda o meu avô!
Meu
avô não calçava esporas,
Nem
bombacha de dois panos
E nem
mesmo chapéu de aba larga.
Usava
vestes simples e uma pequena boina sobre a cabeça.
Não
manuseava o laço, não gineteava.
Mas trazia
consigo marcas do tempo
De
vivências nas estâncias:
Esticando
cercas,
Arando
terras,
Cavando
açudes,
Levando
aguada boa para as lavouras.
Quando o
cansaço batia
Era hora
de tomar um mate, para revigorar.
E aos
poucos os companheiros de alambrado iam se chegando
Um a um
Para
compartilhar o mate e a boa conversa.
E a charla
rolava solta no galpão,
Enquanto o
mate passava de mão em mão.
Depois do
mate,
Era hora
de esquentar a boia.
Que sempre
vinha numa panelinha amassadinha, bem velhinha,
Mas
enrolada num paninho bem alvo,
Que
vovó́ fazia questão de quarar ao sol para clarear.
Mais um
dia puxado, de serviço pesado.
Mas a vida
é assim. Pensava.
Sentado na
soleira do galpão ficava a recordar,
De todas
as dificuldades já́ vividas para os filhos poder criar.
Ergueu a
casa e sustentou os filhos sempre com o trabalho de suas mãos.
Mas
acreditava ser bem recompensado
Pois
quando em casa chegava,
A família
lhe esperava com fartura sobre o fogão.
E era ali
mesmo, em volta do fogão
Que todos
se reuniam para ouvir histórias de assombração.
As
preferidas do vovô̂.
Todos
ficavam quietos,
Todos
prestavam atenção.
Até
os cachorros pareciam compreender
O momento
de hesitação,
Quando
até o barulho do vento acompanhava a narração.
Sempre humilde
e prestativo
Meu
avô era assim. Foi assim.
Homem
simples, mas de grande coração.
Das
lembranças,
Dos meus
tempos de infância,
Meu
avô, é a mais singela recordação.