A DOR
Claudio Silveira/ Cristiano Ferreira Pereira
Dor...
Que
é sofrimento...
...
das feridas;
tormento, aflição
...do
desamor;
pena... remorso,
arrependimento...
dó dos bichos...
...
dó de si;
ou apenas... Dor.
...Foram-se
as eras...
...passaram-se
os tempos...
...
séculos e séculos...
E
ela como um aço inquebrável
jamais deixou de existir...
qual uma sombra a seguir o homem,
na guerra, na angústia, na fome,
na saudade...
ofuscando o lume do nosso sorrir...
Mas...
mesmo com a sua presença
não deixaram de se perfilarem as Pátrias,
resenharam-se as fronteiras,
repontadas pelos homens
que faziam da Dor
mais um horizonte para ser cruzado;
rasgadores de hemisférios...
campeadores de paz e novos rumos,
a pelear por
seus ideais,
por algo mais...
inclusive pela Fé e... seus
Mistérios.
Forjava-se
então o Rio Grande
no alvorecer de sua história;
em meio a belezas e riquezas...
habitava a revolta,
o horror,
a
vergonha...
O
índio era mutilado... morto,
...
tombado
...
vencido
.... humilhado...
condenado a fazer parte de um passado...
na dor da carne e da alma...
...
Os homens dos arreios...
que embora rudes e vaqueanos,
tiveram as vidas marcadas por dor,
no seu mundo “rural”...
...
a dor resultante de um golpe de bagual
e... dos tirões
de um laço de esperança
que muitas braças tinha...
a dor do cansar do braço
quando boleava groteiros
campo afora...
da impotência ante aos desmandos e
desvelos
ou...quando as ausências
se faziam esporas...
a lhes rosetear em puaços...
Veio,
então,
o compasso dolorido
das tropas que marchavam,
rumbeando pros saladeiros,
e até as almas dos tropeiros
sentiam a dor
da marretada mortal...
E
das rezes pealadas porteira afora
para a marca incandescente
e o fio da faca
que resenhava o sinal...
dos malinos
cerdas grossa
que caiam enleados ao maneador,
condenados a morrer sem descendência,
pintando quadros na Querência
de vida, lida e
...
de dor.
Existem
exemplos outros...
Quando
no espelho de sangue do Rio Negro,
A
Dor sorria, vibrava – sem rubores –
por haver conquistado uma vitória
ao ludibriar ambas as cores;
quando lâminas cortaram
pela fama dos senhores,
brandindo o aço dos mitos
em nome de pecadores.
E
o gume impiedoso de sua espada,
cortou junto das lanças e adagas
pra cobrir de rubro
o poncho verde das planuras,
na inerte loucura das guerrilhas,
de matar e matar...
...
e os ranchos...
na dividida dor
de quem partia, peleava e tombava,
e de quem ficava, esperava... e
esperava
na infinda prece
para esse tempo terminar.
...Dor...
...não
a vemos...
apenas sentimos
nas Dantescas imagens das batalhas
ou no cristalino espelho das lágrimas,
que peregrinam andarilhas
nos caminhos da face
daqueles que sentem saudade.
São
esses olhos
que hoje bombeiam a volta,
a vislumbrar tanta dor...
são retinas do pago que guardaram
o que viram e o que sentiram...
por campeiro dentre a lida...
por humano e pecador...
querendo não mais senti-la
para que essa força...
nos leve cada vez mais
pra o rumo certo do Amor!...