QUANDO O AMOR MORRE
Caine Teixeira Garcia
Um bom dia morno
Que se faz suplício,
Serve um mate frio
Que à mão alcança...
Caminho sem retorno,
Espinhoso precipício...
Num tímido desvario
O amor se cansa!
Um punhal certeiro
Aborta o seu sorriso:
Palavra dura e seca
Que a insensatez desfere!
Tão triste e verdadeiro,
Quanto impreciso,
Na boca que emudece
O amor se fere!
Sentir em desalinho
Que a face denuncia,
Ao bater da porta
Sangram as entranhas...
E ao ver-se sozinho,
Sem pouso e moradia,
Descrê no que importa
E o amor se estranha!
No olhar sem brilho
O silêncio é pedra!
A consciência é muda
Se a razão não fala!
Vagão fora dos trilhos,
Tristeza que medra...
Imerso em dor profunda
O amor se cala!
E pelas horas frias
Desse mundo intenso,
Desnuda o sentimento
Que a ilusão aquece...
Realidade ou fantasia?
- tudo à volta é tenso -
No abrupto momento
O amor se enfraquece!
Tão próximo e distante,
Aquém do que deseja...
A tarde é tão cinzenta
Que o sabiá nem canta!
Viver não é o bastante,
É menos do que almeja...
É forte, mas não agüenta:
O amor se desencanta!
Tentando adoçar o fim,
Amarga os desenganos...
Sem chances de defesa,
Ah, solidão nefasta!
A vida é mesmo assim,
Às vezes, muda os planos...
Um bilhete sobre a mesa
E o amor se afasta!
Não mais se reconhece
Perdido em memórias...
Não é sombra do que era
E essa verdade fustiga!
Por que isso acontece?
O que mudou a história?
Numa imersão sincera
O amor se castiga!
Angustiado pelas ruas
Tropeça e vaga a esmo...
Há cismas de outono
Na perfeição que cai!
Sua alma exposta - nua -
Jamais será o mesmo...
Refém do abandono,
O amor se esvai!
No tempo que urge,
Toda a vida escorre...
E no ocaso dos dias,
Ninguém o socorre!
Por tudo que se insurge,
Por todo o mal que ocorre,
Sem ter fé na poesia,
Por fim, o amor morre!