Romance do Artista e a Guitarra
Mateus Lampert
(A
Guitarra)
Enverguei
em vento a madeira
... plantei sons nos temporais.
E depois de andar caminhos
Fui pássaro voltando ao ninho
Do berço dos meus ancestrais.
Enfeitei
noites de lua sem luz
... cruzei os invernos gelados.
Sem o calor da lã do teu pala
Fui silêncios no canto da sala
Pra voltar ao destino traçado.
Sou
guitarra... mais que som e madeira
A minha fronteira vai além do abstrato
Sou a alma que verte o calor do abraço
E a beleza do traço do poema em retrato
Enraizei-me
em terra fecunda
... bebi a seiva pura do solo.
Vivi para saber as tuas dores
Fui amor tocando os amores
Sempre que me tiveste no colo.
Herdei
sentimentos guardados
... abri sulcos nas rugas do rosto.
E por saber tanta coisa de nós
Aprisionei os sons da tua voz
Quando a lágrima mudou o gosto.
Sou
guitarra... ser vivo em tua vida
E minhas feridas não têm cicatrizes
Sou tela em branco vestindo madeira
Árvore inteira de profundas raízes.
Voltei
pra ser luz que alumbra
... encher de cores a casa.
E sem me perder no caminho
Ser pássaro que voa do ninho
E em canto abre as suas asas.
Deixei
no escuro o passado
... curei todos meus medos.
E no teu colo - meu dono
Sou rainha que volta ao trono
Pra ouvir todos teus segredos
Sou
guitarra... ser mais não preciso
Trago sorrisos para acalmar o pranto
Sou a vida que volta renovada em arte
Me basta ser parte do som do teu canto
(O
Artista)
Perdoa
guitarra... esse dom de artista
Ao traçar tuas curvas de som e madeira
Perdoa guitarra... o tempo que passa
E hoje por graça te entrego linda e inteira.
Perdoa
guitarra... te acordar do teu sono
Rainha terás trono pra ouvir teus arpejos
Perdoa guitarra... mas a leveza do traço
Será calor de abraço e doçura de beijo!
Guitarra
do tempo antigo
... te entrego tão divina
Se Deus me deu a sina
De sonhar junto contigo
Minha arte será teu abrigo
Pra o frio terás som e calor
... e assim viverás sem dor
Pelas noites de céu claro
E nesses versos - declaro:
Guitarra... todo meu amor!