O Galpão e o Poeta

Matheus Marchezan Bauer

               

I

Na frincha aberta, a força do Minuano

conta histórias de um tempo que descansa,

no escombro da parede e na lembrança,

de um mundo onde o futuro não faz planos!

 

Ali, já se fizeram, soberanos,

valores sem temor ou temperança

e o galpão, lugar de abrigo e confiança,

foi maragato e foi republicano!

 

O tempo envelheceu o seu cimento

e, por não ter nenhum ressentimento,

foi lhe ataperando, sem receios…

 

Hoje o galpão, cortando os seus lamentos,

chora o sereno em tantos vãos momentos

e a mais ninguém precisa ser esteio!

 

II

A carne dos tijolos feneceu

e os olhos dos portões foram fechando…

A boca da lareira foi secando

e o pé do cavalete se torceu!

 

Um tempo novo veio e se esqueceu…

Da sua imponência, foi restando

vestígios de saudade, degradando,

ao passo que o progresso aconteceu!

 

A voz dos ventos que - por vezes - grita

e se debate, numa angústia aflita,

é o próprio brado que faz o galpão…

 

Que - por socorro, sempre - solicita

pra que um poeta pare e, então, reflita

o quanto fere a sua solidão!

 

III

Galpão, somos iguais, eu te confesso!

Tu sentes tuas forças diminuídas

e eu trago tantas mágoas reprimidas

e, ao poço das lamúrias, me arremesso!

 

Galpão, em ti, viver já me interesso

pra, enfim, que as nossas penas, divididas,

cessem a dor que, em nós, se faz sofrida

e que as desilusões tenham recesso!

 

Eu me encontrei, ouvindo a tua história,

pois trago cicatrizes e memórias

que o tempo desbotou nas primaveras…

 

A vida é uma passagem transitória

que oscila entre derrotas e vitórias

e alterna as plenitudes e as taperas!