O Silêncio
Jadir
Oliveira e Adão Pedro Bernardes
O silêncio tem efeitos
De reflexão e calma
Entendê-lo é percorrer
Os labirintos da alma.
Quem traz silêncios em si
Constrói o próprio saber
Entende as coisas do mundo
Na arte do bem viver.
Os ruídos do silêncio
São quase imperceptíveis
E se amplificam na noite
Para os seres mais sensíveis.
Almas que bebem silêncios
Nos beirais da solidão
Aos poucos acham alento
Pras dores do coração.
Um mergulho no silêncio
É uma imersão na poesia
No compasso imaginário
Da mais doce sinfonia.
Na noite quem tem cansaço
Embala em doce repouso
E colhe sonhos floridos
Em momentos silenciosos.
Na hora doce do mate
Me quedo em silêncio assim
Pra temperar as quietudes
Que falam dentro de mim.
A cor do silêncio é tênue
Quando o luar irradia
Se um grilo quebra o silêncio
Sangra de amor a poesia.
Na constelação das horas
A quietude é infinita
E só o silêncio sussurra
A palavra mais bonita.
Pra se escutar o silêncio
Exige mais que audição
É decifrar o enigma
Das vozes do coração.
Me quedo olhando o silêncio
Nas águas claras da sanga
Sentindo rubor nos lábios
Doce sabor da pitanga.
Se o silêncio não é vidro
Como pode ser quebrado?
Talvez no espelho dos olhos
Silêncios vivem guardados.
Quem não tem silêncio em vida
Talvez não seja tão forte
Quando a fala sucumbir
Ao frio silêncio da morte.