Flores de Maçanilha
Joseti
Gomes
A mão de pegar na pena,
traçar caminhos de tinta,
a mão de inventar palavras,
do anjo, cortou as asas,
da boca, calou o grito…
……………………...
Maria Rosa, “Rosinha”,
perfume de maçanilha
nos ruivos cachos de seda,
olhar azul de céu claro
e pele alva manchada
das ferrugens desenhadas
pelas mãos da mãe de Deus.
Rosinha, uma criança,
caiu nas garras afiadas
de um inventor de palavras
que nasceu sem coração...
Botas bem
enceradas,
camisa branca, bombacha,
guaiaca cheia de letras
e o dom de ganhar prestígio
diante da multidão...
Rosinha saiu afoita
pelo campo, em disparada.
Rosto miúdo, corada,
chapéu de palha e sorriso,
sol grande a queimar a tarde
na sexta-feira minguante
de um fim de mês tão minguado.
Par de sandálias pobres,
pernas finas, dedos magros,
estrada de poeira e vento…