Amo e Basta
Carlos Omar Villela
Gomes
I
Amor! Amor eterno e constante...
A vida se inunda dessa aguada;
Palavras nunca dizem o bastante...
O amor é a seara mais amada!
Amor! Uma palavra tão pequena...
Pequeno dicionário, que diz tudo;
A rosa do amor floresce, plena
E o ódio se destrói e fica mudo!
O amor reza a maior das escrituras,
Inscritas pelo punho da ternura,
Num couro celestial, que não desgasta.
O amor é o bem maior da natureza...
O néctar mais puro da pureza,
Por isso, meus amigos, amo e basta!
II
Amor não é palavra despejada...
Amor é o mais sagrado dos cadernos;
Lá d’onde a dor parece quase nada
E a sensibilidade diz o eterno!
O amor transita livre pelos campos,
Inunda os arrebóis, as alvoradas;
A sanga verte amor nos seus encantos,
O amor é uma sanga em disparada!
Tropilhas indomáveis, sempre em frente,
A água cristalina das vertentes
Zombando da maldade, que se afasta.
O fogo desta história incandescente,
Que fez a tessitura da minha gente...
Por isso, meus patrícios, amo e basta!
III
As largas solidões do pampa imenso
Refletem no semblante do meu povo;
São faces sem inveja, sem retovo,
Quebrando o desamor do que é mais denso.
Que Deus acenda lumes e incensos
Por sobre as multidões desamorosas;
Pra nunca desbotar o céu das rosas,
Que brindam e perfumam o que penso.
O amor é o maior dom do coração
E quando cada irmão amar o irmão
A sina deixará de ser nefasta.
Queimemos solidões e indiferenças...
Lastremos no amor as nossas crenças,
Por isso, meus amados... Amo e basta!