DE ROSAS E DORES
Alcindo Neckel
Um vasto jardim florido
no sigilo das razões,
esconde nas florações,
o pecado dolorido!!!
... o sopro vago do vento,
vem afagar o mistério,
soprando pelo calvário
pra buscar só um alento!
No roseiral, sob o chão,
florescem tristes destinos,
desses anjinhos divinos
num vergel de solidão!
... o desígnio prematuro
obrigava, sem direito,
a destinar ao móvito,
um decadente futuro!!!
A culpa vinha por hora,
desrespeitando silêncio,
noutra fragrância de cio,
o desejo que devora!!!
... o rubro dessa pureza
manchou seu santo lençol,
a secar num arrebol
foi lagrimar incerteza!!!
Ferida, sem voz, nem paz,
em tácita veste branca,
intranquila, sem ser franca,
na coragem incapaz!!!
... essa semente secreta
foi gerada sem amor,
partindo com desamor,
pra rosa brotar discreta!!!
Há tantos atos iguais
na guapa sociedade,
aparência de bondade
por entre covas banais!!!
... na tristeza do plantio,
cada rosa, um aborto,
para buscar o conforto
dum abuso doentio!!!
Eram vetustos períodos!
... terços seguiam rituais!
... o manso dos animais,
vezes faltava pra todos!
As mulheres oprimidas
da própria comunidade,
plantavam sagacidade
em roseiras tão sofridas.
... pecado cruel da carne,
desse tempo, bem irônico!
... sem o direito canônico,
a razão se fez escarne!
Sim! Tempo fugaz, astuto,
veio zombar no futuro,
para derrubar o muro
que protege seu reduto!!!
Sem acobertar a má-fé,
por entre tempos presentes,
instituições prudentes
jamais ataquem a fé!!!
... corporações necessárias,
não protejam agressores,
que desrespeitam pudores
com ações desnecessárias!!!
Eclodir, empoderado...
Libertou novas mulheres,
não suprimindo mais seres
nesse jardim confinado!!!
... ainda resta, por alpedo,
a casca da borboleta!!!
... o transmudar afugenta,
tanto medo, de ter medo!!!
Um vasto jardim florido
no sigilo das razões,
esconde nas florações,
o pecado dolorido!!!
Por entre rosas e dores,
as definem condenadas,
pelas roseiras caladas,
sem culpar abusadores!!!