FRONTEIRAS DO PENSAMENTO
Rodrigo Canani Ribeiro
Um quero-quero que habita
o sul deste Continente
não vislumbra diferenças
entre a pampa castelhana
e as pradarias gaúchas.
O arco-iris
que brota
do fundo das cataratas
não se interrompe na alfândega,
não discrimina bandeiras,
nem sotaques, nem semblantes...
O sol que ilumina o rosto
dos caboclos pantaneiros
não sombreia divisórias
e é o mesmo que doura a pele
dos chaquenhos paraguaios.
O vento que vem dos Andes
com indígenas ressonãncias
não reconhece limites
entre a selva peruana
e a amazônia brasileira.
Então um
condor que paira
neste céu sul-ameríndio
lança um grunhido profundo
e nos pergunta solene:
-Onde estão as verdadeiras
inexoráveis frontreiras
deste mundo que habitamos?
Se as aduanas da vida
já não coíbem mercâncias
nesta babel monetária,
o pensamento reinante
marca divisas profundas
no chão deste território,
miséria, desigualdade
e barreiras de onipotência.
- Cancelas de arrogância -
Se a palavra viaja livre
por todos os hemisférios
numa rede universal
e o saber se expande imenso,
o pensar dos tripulantes
possui vielas estreitas
pra tamanha informação,
há cordões de isolamento,
descrença e maniqueísmo.
- Trincheiras de ignorância -
Se as distâncias se apequenam
e os caminhos proliferam
qual estrelas madrugueiras,
a mente dos caminhantes
guarda elementos ocultos
em recantos sectários,
há guetos de preconceito e
cercas de intransigência.
- Muralhas de intolerância.