SONATA PARA UMA FLOR
Autor: Juliano
Santos
Lindo dia, no hemisfério desta pampa,
onde na estrada eu cruzava a lo largo,
quando avistei linda flor , a fina estampa,
a mais bela rosa a enfeitar este meu pago.
Um botão florescendo mansamente,
que a cada dia florescia um pouco mais,
a flor então tomou forma imponente...
e destacou-se dentre outras, tão iguais.
Menina rosa, foi à flor da minha infância,
flor menina florescendo a esperança
na vida de que um dia me sorriu.
O botão é a nossa própria infância, pequeninos
sonhos e medos, a compor nosso destino,
feito a sanga que mais tarde vira um rio.
-----------------------------
A flor cresceu perfumando o seu mundo,
enfeitando este tempo que era seu
foi assim, emoldurando cada segundo,
que a rosa deste campo floresceu!
Um lindo quadro se formou na pampa nua,
rosa flor na campanha amanhecida,
tinha um brilho feiticeiro como a lua
na rosa moça que mostrava-se florida
Me vi jovem, na mesma flor desabrochada,
na juventude que invadiu minha morada
moça de corpo e de alma tão fugaz.
Me fiz mulher, descobrindo minha vida
descobri em mim, uma força descabida
no meu instinto de buscar amor e paz.
Amarelou a flor que um dia foi tão bela,
e cabisbaixa, não olhou mais para a vida,
hoje murcha, segue junto a cancela
em seu mundo onde o sonho fez guarida.
E caíram pétalas bem junto ao seu caminho
e o vermelho desta cor já se desfez
restaram apenas no caule, os seus espinhos
fiéis guerreiros a defende-la outra fez.
Se ela murchou, não foi por desgosto
é como as rugas que trago em meu rosto
cicatrizes de vida que um dia passou
A velhice, que é algo tão natural
invade a face de quem se acha imortal
são marcas na pele, que tempo deixou .
-----------------------------------
Me vi, envelhecida, marcada de tempo....
na flor que agora parece morrer.
Porém, bastou um suspiro de vento
para ver que o velho, voltasse a viver
A idade mais bela, o fruto maduro
de quem um dia já foi pó e semente
hoje garante o nosso futuro
deixando no rastro o seu descendente
Rosa pampeana, que o tempo pealou
cumpriu a sina que Deus lhe deixou
ficando guardada no jardim da história
Te vi pequenina florindo em botão
trazendo mais vida a este rincão
guardada pra sempre em nossa memória
É o um ciclo da vida que se renova
um quarto de lua, radiante no céu
depois da cheia, vem a lua nova
tão alva , tão branca, feições de papel
Quem vê a vida além do horizonte
sabe que a flor murchou por madura
é feito a velhice que vem num reponte
e sempre nos leva para estrada segura
Somos as flores do um imenso jardim
nele traçamos o nosso início e o fim
ou quem sabe ainda, um recomeço?
A flor da vida é luz dentro da alma
que no silêncio chega e nos acalma
neste mundo que parece estar do
avesso.