A
ORIGEM DA PALAVRA
Autor: Adão Quevedo
A palavra
É uma espada,
Quando corta o silêncio...
O silêncio...
É feito pedra:
Amola o fio da palavra.
A verdade é aço templado...
Quando sai da bainha
Num tinido de revolta,
Abre espaço a sua volta
Sem rodeio, ou ladainha.
-A verdade tem raiz-.
No entanto, a mentira...
A mentira é só verniz,
Ninguém mede, quando diz...
Somos verdade e mentira,
Contidos num tom de voz...
A palavra...
Podemos revesti-la de flores
E dentro dela, ocultar muitos espinhos.
Podemos arrasta-la na lama
E depois estende-la, alva e transparente,
Num varal de ilusão.
“Palavra é pedra preciosa,
Brilha no céu do poema,
Quando escrita, silenciosa,
Lapidada sobre o tema”
Quantas palavras ouvimos
Sussurradas ao ouvido...
Outras soaram
Feito tropa em disparada...
Porém...
Nem uma permanece
Tão viva quanto um abraço,
Tão profundo, quanto um olhar,
Nem tão doída, quanto num adeus,
Um lenço branco, acenando,
Num eterno, nunca mais...
....................................................
Saciamos a sede,
Quando a água, nos mostra a vertente...
Sim, é preciso saber da fonte
Antes de sentir-lhe o sabor e
Ouvir-lhe o murmúrio.
O fogo, é filho da lenha,
A lenha, é filha da árvore e a árvore ...
Da seiva da terra...
A seiva da terra,
Ah... Ai esta o segredo do fogo.
O nosso segredo
Também esta guardada no fundo...
Não na chama, não na lenha, nem na árvore...
Mas, sim na seiva,
Na raiz que a extrai do chão...
O chão, os pés.
É ai que a palavra busca sua essência...
Sua força esta na origem,
Não apenas no seu som...
Porque...
“... palavra é um diamante,
guarda mistério profundo.
Se for falsa, perde o encanto,
fica o verso moribundo...”
A palavra
Tem que soar
Com cheiro de terra,
Com aromas de mato,
Com timbres de cachoeira,
Com gosto de frutas silvestres,
Com jeito de forno de barro e pão...
A palavra
Tem que soar
Com timbres de bronze,
Com tinos de consciência
Das escrituras sagradas...
E sinos de igrejas, aos domingos.
Só assim, tocará nosso coração...
Só assim revelará seu gosto...
Sua fonte de luz...
A luz da alma...
Porque a alma...
É a seiva que nos alimenta...
É a força maior, que nos sustenta,
O universo do nosso interior...
É o pão, de cada dia...
Porque ela, a alma...
É o espelho da palavra
Que da vida à poesia.