RECULUTA DE VERSOS
Sebastião Teixeira Correa e João Marin
Matear
ao pé do fogo divaga nossos pensares,
E
nestas horas que a gente dá asas pro pensamento...
O
meu, engarupou-se no vento,
q'adentrou
pelo meu rancho.
Liberto,
ganhou o mundo,
com uma finalidade,
Reculutar
versos tantos pra formar minha manada...
Foi
assim, quase num upa, nem sequer se despediu.
Lembro
a mala de garupa, num resto desta visão,
Poeira
tapando a estfada, e a batida d'um portão...
Apartados
num piquete, da mangueira de papel,
Vou
fazer a seleção dos velhos, xucros, ventenas...
Caneta
feito ginete, já á dou jeito nos "veneta",
Pensamento
feito esporas, falquejo aqueles mais xucros...
Os mais velhos, já polidos, será
padrinhos do tema,
Desta
tropilha de versos, q'eu hei de chamar poema...
Por
de sol, e fim de tarde, chega a lua pro seu turno.
Feito
duas sentinelas, cambiando a guarda na estância,
Fizeram-se
meus parceiros, compartilhando esta ânsia...
Passaram
horas, os dias, também passaram-se meses,
Até
me "olvido"
se às vezes foi uma ou mais invernias...
É
nestas horas que o peito, traz recuerdos da guarita,
"Talvez, por ser GARIBALDI, não se meteu em
pendengas?
Ou
se enredou por amores, nos braços de alguma ANITA...
Fiquei assim,
chimarreando nos fins de dias, infindos,
Até
que um dia, sorrindo, se achegou sem muito alarde,
Retomou
pra sua essência, numa calada de tarde...
Polegadas
de sorriso, que não se cabe entre orelhas,
E
uma mala de garupa qual fase de lua (CHEIA)...
Contou-me
tudo o que viu e "cousas" que
não quisera:
-
Vi ranchos feitos tapera, rios bebendo pesticidas,
O
campo já revoltado pelo arado da agroindústria,
Olhares
de pura angústia fotografando a verdade...
Engordando
as romarias, de esperanças alijadas,
(Se
equilibra no vazio, peão rumando pra o nada...)
Vi
ranchos enfileirados d'outro lado do aramado,
Esperando
seu bocado d'uma terra prometida...
Ouvi
lamúrios de piás, num fundo de beco, escuro,
Sonho
de pai resumido num rancho de papelão,
E
o choro parido seco, num desespero de mãe,
Desejo
de dizer sim, mas a língua trai num ( Não )..,
Vi
comício à bola pé, candidatos discursando,
E a
mentira atropelando ideais de boa fé...
Quem
dera todas as falas viessem a ser cumpridas,
E os
candidatos fizessem valer a velha premissa:
Mais
vale uma boa ação, que a palavra proferida...
Cheguei a me perguntar
se aquilo seria sina,
Numa diferença bruta, que eu vi pelas favelas,
Onde ruelas, feito güelas, fazem vezes de
latrina...
Num esgoto a céu aberto, crianças chafurdam lodo,
E um povo sem instrução, acaba achando normal,
Pois nem sequer tem ciência, d'um tal programa
social...
Vi, na
alta sociedade, o homem saciar angústias,
Numa
carreira assistida d'um modo bem diferente:
Não
carece partidor, linha de chegada? Qual...
Onde as
raias, numa mesa, alinhavam potros brancos,
Distribuídos
em fileiras sobre o tampo de cristal!
Vi, a natureza em protesto, gritando na voz dos bichos,
E o farfalhar do
arvoredo, quase mudo, agonizando,
Pois, ronco de moto-serra jaz os
mesmos, propiciando,
Que a conta de uns e outros, vá aos poucos engordando...
Mas nem
tudo foi tristeza.
Colhi na
volta a certeza
Das
sementes bem plantadas.
Mãos
amigas me alcançando
um mate quente a
preceito e um carreteiro
à campeira, cozido daquele jeito.
Agora com seu permisso, preciso rever
encilhas,
Guarnecer, lá no bolicho, minha mala de
garupa,
Pois, ganho a estrada num upa, tão logo espreguice o sol.
Vou, dar de beber préssa
tropa: esperança, novos dias...
Vou' transformá-la num fato, onde vozes fazem vezes,
São bem mais q'um simples ato, mais que
palavras vazias,
Semeadas das tribunas deixam de ser utopias,
Pra se tornarem então, sementes de opinião,
Nos festivais de poesias...