COMPERMISO
João
de Freitas
Permiso,
caro patrício
Pra soltar meu canto
largo
Com oficio do meu
cargo
Neste começo de noite
Num aspecto de açoite
Quando Rio Grande se ermana
Pra confraria dos
versos
Pra cultura ter
sucessos
Da guapa vida aragana.
Neste galpão campechano
De pau-a-pique barreado
O pinho faz um
costado
Eu, patacoero, declamo
A cultura do pampa eu
chamo
Quero contar as
façanhas
Do índio xucro do
pago
Que se criou meio
vago
Cruzando nossas
campanhas.
Este gaúcho que falo
E o mesmo venta rasgada
Que ao toque de
clarinada
No alvorecer do Rio
Grande
E sem que ninguém
mande
Montado, e bem a cavalo
Em prol da pampa
gaúcha
De espada, lança e
garrucha,
Sinchando
no mesmo embalo.
Foi ele sim, o mangrulho
O
sentinela avançado
Rude, guasca abaguala
Que não conheceu
maneia
Mas pronto a qualquer
peleia
Sem nunca dobrar o
penacho
No velho estilo
robusto
Por que não nasceu de
susto
E nem foi criado
guacho.
Sempre esteve na
vanguarda
Como ponteiro de
tropa
Chapéu, batido na copa
Pachaola
e desafiador
Homem puro e peleador
Olhos de tigre em
peleias
Que calça o pé e não
recua
Pois traz o sangue charrua
Galopeando pelas
veias.
É dele que a historia fala
Há mais de trezentos anos
Os seus feitos sobre-humanos
Aonde a coragem avança
Escrito a ponta de lança
Em tantas revoluções
Lutou sem pedir clemência
Pra defender a querência
Da gana de outras nações.
Conserva o mesmo estoicismo
Que recebeu por regalo
Entre escolta de cavalo
Com chuva, vento e frio
Banhado, mato e rio
Peleando por vitória
Com o suor sobre a face
Pra que o Rio Grande entrasse
No ciclo da nossa historia.
Então meu caro patrício
O meu alerta já fiz
Do sul do nosso país
E dos homens peleadores
O históricos de valores
De adaga e lança na mão
De camisa aberta ao peito
Pra impor o respeito
Em defesa do nosso chão.
Sim senhor muito obrigado
Por me ouvir
um momento
Expressei o sentimento
Daquilo que nos legaram
E que também entregaram
O que o gaúcho deseja
Dentro da própria experiência
Que o passado da querência
Tem vida de alma andeja!