TROPEIRO DE NUVENS
Jéferson Rogério Valente
Rompem o horizonte quadrilhas
- zainos, mouros e lobunos –
Que vêm tangidas a esmo
Por esse louco tropeiro
Que varre a terra e o céu
Cruza horizontes Infindos
reculutando a cavalhada.
Descendo do firmamento
vaga em paragens sem fim,
para batendo nas portas,
para abrindo janelas,
para trançando cabelos
cumprimentar os andantes.
Suas canções nas planuras,
suas toadas no aramado,
e a orquestra do arvoredo.,
são parceria constante
pra os que se deixam tocar
pela constância das canções,
pelo acalanto das toadas,
pela força das orquestras.
E tocando sua viola.,
segue o tropeiro sem rumo
na busca de sua potrada...
Por vezes pingos tordilhos
são tropilhas percorrendo
celestes campos azuis.
Vão e vem sem deixar rastros
na imensa pradaria,
pastagem e corredor.
Sem potreiro ou alambrados,
o indômitos corcéis
vagam ao léu no infinito
que paira por sobre nós.
cheios de baldas e manhas,
redemoinham no espaço
negaceando a tropilha,
fugindo do laço,
das rédeas,
dos ferros.
Ao acaso,
alguns cavalos
São tosados a preceito.
E os rastros da tesoura
esvoaçam pelo ar...
Estranha tosa executa
esse teatino tropeiro...
As crinas esvoaçantes
tem formatos variados
conforme o lance do olhar.
Alvos potros multiformes
povoando o campo azul...
Mas os pêlos que vislumbro
prenunciam que em seguida
a terra será lavada
pelo suor da cavalhada.
Não mais os pingos tordilhos.
Não mais os rastros de tosa.
Formou-se a tropa lobuna
que se veio em disparada,
tocada pelo tropeiro
com seus gritos de trovão.
E esse suor, que lava a terra,
traz a vida, quando há seca,
faz transbordar rios tranqüilos.
faz assentar a poeira
de alguma estrada comprida...
Alheio a isso, o tropeiro
segue juntando tropilhas,
segue batendo as portas,
segue abrindo janelas,
segue trançando cabelos,
segue cantando canções,
cruzando o horizonte infindo...
Ventando,
sem ter um lar pra pousar!