Poema Transcendental
Autor: Danilo Kuhn
Declamador: Guilherme Suman
Amadrinhador: Danilo
Kuhn
A luz do palco aberto
é um convite à poesia...
O poeta acende o verso
no portal da fantasia.
O encanto da palavra
vaga nas asas do vento,
gela e queima em sua lavra,
nas linhas do sentimento.
Qual dor escorre da pena
sobre a página vazia
na tradução do poema
pelo corte da sangria?
Que mistério esconde a chave
da chama das inquietudes?
Quem transcreve o amor em
claves
com sua voz de alaúde?
Quando a alma do poeta
sai do leito, inunda as margens,
o poema se completa
ante à verve da estiagem.
Quando os versos ganham asas
e pousam nas entrelinhas,
na pena que a tinta vaza
a poesia se aninha.
Um violão chora triste
entre primas e bordões
quando a saudade insiste
em pontear as emoções
e uma voz embargada
soa amarga na garganta
– cada lágrima salgada
é punhal que não se arranca –.
A luz do palco aberto
é um convite à poesia...
O poeta acende o verso
no portal da fantasia.
O espelho do poema
reflete a luz do universo
– na trajetória da pena
nasce o sentido do verso –.
Que palavra abre as portas
do céu da inspiração
quando a pena não comporta
o que traz o coração?
Que acorde acolhe o verso
na pauta de um compasso?
Quanto cabe no avesso
da palavra, em seu abraço?
Quando a alma palpita,
nasce o verso, improvisado.
O universo nos habita
em cada verso rimado.
O poeta mata a sede
ao beber água da fonte
pra ir além da parede
que lhe cega o horizonte.
O sonho ganha o infinito
pela janela do palco
entre o silêncio e o grito
do verso em autorretrato.
Um poema, envolto em brumas,
voa da folha silente
pra ser mar, pedra e espuma
muito além do continente.