Legado de Estrada e Tropa
Autor: Moisés Silveira de Menezes
Declamador: Pedro Junior da Fontoura
Amadrinhador: Kayke Mello
I
Entonado num Tordilho
Da cruza moura-andaluz
Nena Franco vem ao tranco
Na direção do povoado.
Sabe bem donde é que vem,
Da velha estirpe tropeira,
Dos maragatos de Espanha
Buscadores de horizontes.
Só entende o rumo da estrada
Quem sabe onde ela começa
E não esquece as origens.
Pra onde vai desenha o rumo
Escora a vida no braço
Nos atos e na palavra.
II
A memória retrocede
Longe na poeira do tempo,
Um ancestral muladeiro
Descera da Sorocaba.
Barba branca chapéu grande
Abre um caminho pioneiro
Lapa, Lages e Vacaria.
Passinho, Pinheiro Torto.
Costeando a velha Cruz Alta
As terras da Mãe de Deus
Lindos vergéis muitas
bênçãos.
Erguera rancho e família
No antigo Posto São Joao
Costeando o rio Toropi.
III
Lendária cerca de pedras
Envolta em musgo e silêncio
Guarda pretéritos fatos
Que não chegaram na história.
Os livros trazem tão poucos
E os poucos são do poder
Os tauras
da lida bruta
Passam à margem do olhar.
Riscaram rumos, picadas
Pra cruzar tropa e destino.
Semeando um mundo futuro.
Ao descaso
relegada
Indiada moura espanhola
Império de bois e potros.
IV
Sob as ruínas missioneiras
Extraviados seus rebanhos
Novo legado enraíza
Para brotarem cidades.
Tranco lento Nena Franco
Junta
passado e presente
Antevê longe o futuro
Sem tropas pelas estradas.
No longe o som do cincerro
Sangue de várias culturas
Na memória inquebrantável.
Somos filhos das estradas
Herdeiros dessa memória
Que refundou o Rio Grande.