OS MEUS RASCUNHOS
Vitor Lopes Ribeiro
Repousam em meus rascunhos
Os destinos que escolhi...
Uma tropa de quimeras,
Rincões que não conheci,
Vozes de tantos silêncios
Que em metades, escrevi.
Meus rascunhos são saudades,
São os sonhos que enfrenei,
Alguns, selei por
vencidos,
Outros, não realizei
Sob incontidos desejos,
Que um dia, desejei!
Meus rascunhos são o campo
De um dia que peonava,
São os primeiros galopes
São cordas cruas trançadas
São esteios pra o futuro,
São versos pra prenda amada!
Meus rascunhos madrugueiros
Que partiram em tropel
Ganharam mundos, guitarras,
Gargantas. Foram ao céu!
Cada verso, seu destino,
Seu motivo, seu papel!
Alguns deles foram luas
Dando luz á escuridão,
Outros tantos foram sombras
Para o sol do meu verão,
Foram mais que pensamentos
Nas horas do chimarrão.
O meu rascunho é o tempo,
É a terra donde eu vim,
É o rincão que mais campeio
É a gratidão que não tem fim,
São "recuerdos"
e progressos
Escritos dentro de mim.
Meus rascunhos, todos
potros,
No papel desta querência
São esperanças e preces
Flores e espinhos, vivências,
Pealos, tombos e encilhas
Marcados nesta existência!
Guardo comigo o rascunho
De tudo que fui e sou,
Tenho versos na memória
Que a vida poetizou,
E sobram léguas em branco
Nos rumos em que me vou!
Meus rascunhos são a vida
Que o tempo aperfeiçoou!