HUMANOS

Jose Luiz dos Santos

 

Sorvendo, aqui na varanda

um mate, com muito gosto;

batendo suave no rosto,

 a brisa que o tempo manda.

O pensamento em ciranda,

bailando interrogações;

a razão e as emoções

vicejam neste momento,

retratam no sentimento,

teimosas reflexões.

 

Meu Patrão da Grande Estância,

permita a indagação,

na resposta, sim ou não,

no limite da inconstância,

de quem trás no peito a ânsia,

e alguns anseios profanos,

pendengas e desenganos,

que fazem a gente pensar;

por vezes, a perguntar

ainda somos humanos?

 

“Homo sapiens”, a origem

do homem evoluído;

tudo isso faz sentido,

mas, angústias nos afligem.

Chega até causar vertigem,

quando se olha pro lado,

ver irmão assassinado,

por meia dúzia de “pila”;

 o rico que fura a fila

e o pobre, menosprezado.

 

A ciência cognitiva,

traria “razão” ao homem;

as notícias nos consomem,

em situação conflitiva.

A violência primitiva,

quando o filho mata o pai;

se a bala perdida vai

na direção do inocente,

onde morre tanta gente,

no lugar que a bomba cai.

 

Dotados de inteligência,

pra preservar sua raça,

muitos caem na desgraça,

sem ter peso na consciência.

 Aonde andará a tenência

e os valores como dantes,

para amar os semelhantes,

entre os gritos e sussurros,

sem precisar trocar murros,

co’s moinhos de Cervantes?

 

O olhar da indiferença,

a quem dorme nas calçadas;

almas expostas, judiadas,

cumprindo triste sentença.

Parece existir só a crença

do poder e da riqueza;

quem tem o seu pão na mesa,

aos outros não dá valor,

pode ser frio ou calor, 

falta o gesto de nobreza.

 

A droga destrói a mente,

enriquece o traficante;

nosso povo ignorante,

vê e finge que sente.

Daí que brota a semente,

do ladrão, do estuprador;

da má-fé, do desamor,

nivelando aos animais;

são seres irracionais,

padecendo a mesma dor.  

 

Perdão, Supremo Arquiteto,

eu mesmo sei a resposta,

se aqueles que a gente gosta,

não se encontram aqui perto.

É uma verdade, por certo,

que isso iria acontecer;

para o mundo compreender

que ninguém vive sozinho;

é necessário carinho,

na busca dum bem viver.

 

O que está acontecendo,

lembra Sodoma e Gomorra;

é preciso que alguém morra,

para o povo ir aprendendo.

Infelizmente sofrendo,

o pecador e o justo,

na paga do alto custo,

por fazer ouvidos moucos,

ouvindo gritos dos loucos,

na passagem desse susto.

 

O livre arbítrio é a Lei,

que Jesus Cristo deixou;

Ele mesmo ensinou

o respeito a nossa grei.

Compreendi, agora sei,

até me vejo, contrito;

fito ao longe o infinito,

para espantar injustiça,

obedecendo a premissa do dever,

que foi escrito.

 

Um inimigo oculto,

apareceu de repente,

para ensinar nossa gente

“a largar” de ser estulto.

Sem pandemônio ou tumulto,

dar novo sentido à vida;

reinventar-se na lida

e ter criatividade.

Mesmo na adversidade

que o amor ache guarida.

 

Por correto,

extirparemos

prepotência e arrogância;

da maldade e da ganância,

também nos afastaremos.

A lição aprenderemos,

assumindo a pequenez;

nessa hora chega a vez

do perdão e perdoar;

e ao mundo demonstrar

nossa maior altivez.

 

Por isso que a Humanidade

deve seguir o seu curso;

o isolamento é o recurso,

pra preservar a unidade.

Buscar a felicidade,

tornou-se norte a encontrar.

Tudo isso irá passar,

e seremos novamente,

seres humanos contentes,

felizes ao se “abraçar”.