EXTENSÃO FRATERNA DE UM EMPÍREO CAMPESTRE
Carlos Eugênio Costa da Silva
Janela da casa simples
elucubra linda imagem,
e emoldura uma paisagem
de campos e pinheirais;
revoadas de pardais,
pinhas caindo do pé,
trabalho, amor e fé
harmonizando os iguais.
O jasmineiro florido
anuncia a primavera
e mostra a quem persevera
a graça da transformação.
Na cozinha o fogão
dimana calor fraterno,
no fogo, lenha de “cerno”
aquece alma e coração.
Na pastagem verdejante
meia dúzia de terneiros
e algum gado franqueiro,
que gordo, o lucro emana;
um par de Mula Serrana
e uma cadela caduca,
relíquias do Velho Juca,
um homem de alma ufana.
Ao final das tardezitas
o galpão virava um templo
e o chimarrear era exemplo
de união e aprendizado.
Lá fora, o esganiçado
da curucaca gritando,
ao pousar se aquerenciando
num pinheirito entonado.
Seu Juca mirando os filhos
dizia com vozear profundo:
- Esse pássaro anda o mundo
em liberdade a voar,
vê campos, matas sem par,
mas na hora do sossego
volta para o aconchego
do pinheiro que é o seu lar.
Um dia vocês partirão
como a curucaca faz,
pra desbravar, correr atrás
de um futuro alvissareiro,
porém nem todo o dinheiro
da conquista de teu espaço
valerá pelo abraço
de retorno a teu pinheiro.
Então, sorria pros filhos
que lhe olhavam com carinho,
enquanto o nó de pinho
o fogo de chão sustentava,
na chama o pinhão estalava
para uma boia campeira
e assim, dessa maneira,
a vida então galopeava.
O tempo...logo
deu voltas
escancarando a cancela,
e a paisagem da janela
persistiu “as estação”,
porém no templo-galpão
uma saudade retruca
remembrando o velho Juca,
que no céu foi ser peão.
O sítio perdeu a essência
e os herdeiros, o tino,
antecipando o destino
de camperear na cidade,
cada um com sua vaidade
sem pensar no que viveram,
num impulso, resolveram
negociar a propriedade.
No outro dia, bem cedo,
se achegou o comprador,
com os papéis e o valor
descrito na promissória.
Herdeiros de alma simplória
analisaram a escritura
que com “as assinatura”
apagaria uma história.
Nessa hora uma cena
chama a
atenção “dos herdeiro”
ao pousar
sobre um pinheiro
a curucaca gritando,
a
lembrança vai voltando
na memória
“dos irmão”
e tomados
pela emoção
se
abraçaram chorando.
... um dia vocês
partirão
como a Curucaca faz,
pra desbravar, correr
atrás
de um futuro
alvissareiro,
porém nem todo o dinheiro
da conquista de teu
espaço
valerá pelo abraço
de retorno a teu
pinheiro.
Então, olharam pro céu
que azulava a paisagem,
e entendendo a mensagem
daquela cena silvestre,
agradeceram a Deus-Mestre
pedindo vida eterna
naquela extensão fraterna
de um empíreo campestre.