ANTIGO
MISSAL DE ALMAS DE LUZ.
Rodrigo Borges Bueno
As almas eternas que
vagam no Além
Aguardam também
voltar a razão?
Ou sem a emoção dos
instintos carecem
E assim permanecem na
escuridão?
Aurora celeste, tenaz firmamento
Meu poncho ao relento do campo orvalhado
Escuto calado teu grito que diz
Assaz aprendiz de amor renovado.
Peão de estância, arreio e cavalo
Se rei ou vassalo, é o pó que te espera
Abaixo da terra de tua vaidade
Vigora igualdade de um tempo que encerra.
Antigo Missal de Almas de Luz A vida
conduz o teu galardão?
A tua missão é um sepulcro caiado
Mistério estirado de fé e paixão.
Herança do nada, vazio sem sentido
Ou corpo vencido na luta imoral?
Se alma imortal ou alma que morre
A vida que corre num canto final.
Proscrito das eras,
retumba o sonido
O campo perdido do teu parador
Vulgar contendor de espírito e corpo
Procura o conforto, vestígios de amor.
E as almas se unem no fogo de chão
Julgando o sermão do inconsciente
Sem corpo presente no bem e no mal
Remontam ao Missal do tempo insurgente.
Antigo Missal de Almas de Luz
A vida conduz o teu galardão?
A tua missão é um sepulcro caiado
Mistério estirado de fé e paixão.
De qual finitude falava o proscrito?
Do campo infinito do silenciador?
Ou fala da dor que a tudo termina
E a alma culmina na busca do amor.
A Missa das Almas refaz esperança
Requer a herança da Antiga Promessa
E tudo interessa à Lei do Destino
Ao índio teatino que anda depressa.
O tempo que temos é vã liturgia
Tornemos vazia a ânsia do ter
E que o mero ser liberte sua Alma
Na luz que acalma no Amanhecer.
Antigo Missal de Almas de Luz
A vida conduz o teu galardão?
A tua missão é um sepulcro caiado
Mistério estirado de fé e paixão.
As velhas taperas perdidas no pampa
Relembram a estampa do índio tropeiro
Gaúcho e guerreiro do bem e do mal
Antigo ritual de um sonho campeiro.
E a elegia de brutos e escóis
Cantiga aos faróis dos campos do além
Que sem um vintém deixado de herança
Refaz a esperança de um tempo que vem.
Arrastam correntes no céu do galpão
Notória oração e a missa campal
Gaúcho ancestral
carregas na alma
A luz que acalma a batalha final.
Antigo Missal de Almas de Luz
A vida conduz o teu galardão?
A tua missão é um sepulcro caiado
Mistério estirado de fé e paixão.