Fragmentos da Cruz
Adriano Silva Alves
Um resto de noite na idade
dos olhos tingidos de luz...
Um Cristo ao avesso, e um
novo começo pra os braços da cruz.
O braço direito, guardava o respeito do aço de um grampo
A mão que sangrava,
a boca calada, guardando seu pranto.
No lado esquerdo, o grampo e
o segredo de alguma oração
O próprio silêncio, pulsando
num peito, sem ter coração.
O grampo nos pés, a forma da
fé, outro grampo inda exangue
Guardava a cor, dos passos na
cor
Tingidos de sangue.
E hoje essa cruz despida de
um Cristo
E o que muito reflito, nas
horas de humano
Sem ter um algoz, sem ter uma
voz
Pra quem não me escuta...
Sabendo ser justa a injusta verdade,
a própria verdade que guarda a conduta.
E eu por cristão, de joelhos
ao chão
Me entrego a um altar
Me permito falar, das coisas do mundo
De um tempo fecundo, de horas
tão belas
Depois das janelas
Dos ranchos vazios
E as estrelas num rio
Qual tocos de vela.
Eu ... Eu tendo uma cruz de braços abertos
Ali me confesso na imagem em
respeito
Do lado direito, a mão sem feridas
Do lado esquerdo, a forma da vida
Os pés sem o sangue, apenas o
andar
E eu por rezar, minha triste oração
Me vejo na luz, feito um Cristo na Cruz
Na sombra do chão.
E então inda penso, ser um fragmento dos tantos do tempo
Eu, ser tão pequeno, de
avessas vaidades
Entregue as saudades das
coisas que tenho.
Eu, depois de rezar, que
aprendi chorar de joelhos no chão
Compreendo no olhar
Que a dor do chorar, redime
um pagão.
E então que assim seja
Que a cruz me proteja
E que seja assim
Em nome do pai
Em nome do filho
E a paz desse filho
Que vive ainda em mim...
Em nome da cruz
Em nome da luz
Daquilo que tem
Um homem cristão,
de joelhos ao chão
E a alma também
Buscando por luz
Em nome da cruz
De um Cristo, amém...