Amadrinha/Dor
 João Batista de Oliveira

Potrilho atado ao palanque, cola varrendo o chão...
Domador enforquilhado,
retumbando o coração,
E o amadrinhador, bem montado, atento ao aceno da mão...!

O bruto sai corcoveando, o outro surrando cruzado.
Um defendendo-se por instinto, na boca um tento atado.
Outro garantindo sustento, baixando o mango trançado.

E os olhos sempre atentos, do que se encontra estrivado.

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Uma cena “campechana” que retrata lida bruta...
Uma cena de disputa entre potro e domador...
Uma cena que consagra apenas “um” vencedor!
Mas qual é o papel, nesta luta, do tal amadrinhador?...

Talvez mais um figurante neste campeiro cenário...?
Talvez mais um voluntário de rédeas cruas na mão,
Ou quem sabe algum peão que saiba andar a cavalo?

Não...!
Por certo, este é um “regalo”... um anjo santo divino!
Confrontando esses malinos que tentam plantar nos pastos
Um domador, por destino, que ganha a vida nos bastos.

Este é como um Pai... agarrando a cria nos braços!
livrando o filho dos cascos quando um selvagem dispara,
Antecipando os passos de um “veiacomalacara.

Também é um guitarreiro... acariciando seu pinho!
As vezes cochicha baixinho, as vezes é agarrador!
Embalando com carinho os versos de um pajador.

Por vezes é nobre poeta... imortalizando momentos!
Expressando sentimentos em lutas quase perdidas
Pois, sempre encontra argumentos para salvar uma vida.

Por que não um changador...das antigas sesmarias!
Preservando noite e dia o respeito, a simplicidade!
Concretizando a nostalgia de viver a liberdade...!

Este Amadrinha/DOR... Este Amadrinh/AMOR...
 Amadrinha alegrias, Amadrinha tristezas...!

Para ser um, tem que ter destreza... tem que ter emoção...
Lutar contra a correnteza, a favor do coração!

Parece uma luz cintilante, um tema de inspiração,
Iluminando caminhos cobertos de escuridão!
Parece uma benção divina, um eremita solitário,
A rondar almas perdidas deste pago legendário!

Até recordo um tal João, levantando o pó da terra,
Bordando o lombo da serra num cavalo redomão!
Para sustento dos seus, não contava com a sorte,

Pois João peleava co'a morte, Amadrinhado por Deus!