DOS DOMÍNIOS DA PAIXÃO

Edson Spode

 

Paixão....força rompante

Trovão estouro, lampejo

Tem por tempero o desejo

Nos olhos só o que convém

Ouvidos nem mesmo têm

Nas falas contos de fadas

Suas ganas não controladas

Destroem a gente também. 

 

Usa o caminho da cisma

O egoísmo por conduta

Em seus intuitos astuta

Por seus estragos visível

Torna a razão impossível

Escraviza a nossa mente

De sabedoria é ausente

Correspondida, invencível.

 

Da ilusão se alimenta

No ciúme se embriaga

Com o tempo se apaga

No beijo ela se inflama

Faz o céu em uma cama

Seu inferno é a rejeição

Para ter um sim do não

Pode fingir que nos ama.

 

Leoa quando em repouso

Confrontada é serpente

Para si mesmo ela mente

Se a verdade não convém

Aos conselhos seu desdém

E suas posses em sua cela

Não se dá conta que é ela

Tanto a bandida e o refém.

 

O controle é o seu deleite

Por seu alívio usa o choro

A intriga como socorro

Se a sua máscara desliza

Qualquer conduta avaliza

Na instância do desespero

E as feridas de algum erro

Seu rancor não cicatriza.

 

Traída é ódio mais puro

Em frequência destrutiva

Lança no breu sua ogiva

De proporções nucleares

E nos trajes mais vulgares

Em seus palcos de vingança

Devasta tudo que alcança

Com a fúria dos sete mares.

 

De um lado brota mais forte

Raramente ela se equaliza

Porque no outro se idealiza

Em seus devaneios velados

E entre os martírios calados

Sua dor intensa é que ensina

É a forma da instância divina

Cobrar cada um dos pecados.

 

Na convivência desgasta

Pois, ilusões são desfeitas

E suas manobras trejeitas

Já não encontram janelas

Quimeras doces e belas

Brilho de outrora quasares

Pelas profundezas dos lares

São luzes brandas de velas.

 

Quando adentrou nos palácios

Moveu aos céus e a terra

Travou batalhas, fez guerra

Por seus conluios ao poder

Porque na essência do ser

Que a paixão faz morada

E sentindo ser derrotada

Prefere matar ou morrer.

 

Mas fez coisas grandiosas

Que seus feitiços moveram

E se paixões se esconderam

Brotaram versos das dores

Dom Quixotes e escritores

Eternos poemas floridos

Que até hoje ainda relidos

Emanam cheiro de flores. 

 

E nas cicatrizes do mundo

As lavras de paixões tortas

Porque jamais usam portas

No acesso cego as vontades

Tomam para si as liberdades

Que depois dividem ao meio

Mas no incontrolável anseio

Ficam com as duas metades.

 

Por isso essa força rompante

Deixa visível os seus danos 

Fogo na vida de humanos

Preceito mais certo de dor  

Seu misto egoísmo e furor

Só busca as suas ambições

Mas todo o mar das paixões

Não faz uma gota... de amor.