Jeferson Monteiro e Joseti Gomes
Te vejo em
minhas distâncias...
Se dos olhos brilham silêncios guardados
que se derramam ao desprenderem de mim,
te vejo em cada sonho acalentado...
Te vejo, mesmo longe, ao meu lado .
Te vejo em cada
flor, do meu jardim .
Morena... de olhar tão triste
e perdido...
Já não suporto esta ausência,
Estar distante de ti...
Teus cabelos, negras cascatas,
deslizam sobre os ombros, serenata
pras minhas noites silentes,
em que me perco compondo versos
pra quem jamais viveu aqui...
Recolorindo quimeras,
transformo o rancho tapera,
no arco-íris mais lindo,
com matizes de arrebol...
E abro frestas na lembrança,
buscando teu terno semblante,
e a imagem mais constante,
do teu sorriso de aurora...
Que cala
fundo e desconsola
cada vez que te recordo,
pois tua ausência é minha ânsia,
e só por ti meus olhos choram...
Meus
dedos já estão cansados
da lida dura dos
campos...
Meus passos outrora
ligeiros,
tropeçam no dia-a-dia,
se
perdem nessas estradas,
que secam pela agonia
de ver teu riso chegando,
e todo meu ser, transformando
milongas em poesias...
Porém
é só mais um devaneio
dentre todos que acalanto...
E
neste mar, que fiz meu pranto
estendido pelas várzeas,
vou pescando aos fins de tarde
num caniço de esperança,
que jogo sem ver pra onde...
E só as iscas de
lembranças
Sabem por onde te escondes...
Quando
campeio as ninhadas
que se extraviam pelos capões,
encontro bem mais que ilusões
de esconderijos guardados ...
Reencontro os recados
que confiei para os ventos ...
E
descubro que o mensageiro
não entendeu tal urgência,
Nem
se quer compreendeu a inquietude
desta alma flor de açude,
exilada na querência ...
Ruminando meus pensares
redesenho meus caminhos ...
Miro estradas e estrelas,
Miro flete
...e capões ...
Sento o xergão
...afirmo os arreios,
Poncho emalado pras noites
de frio
Assim que clarear, costeando
este rio,
Eu sigo pra
perto, do olhar que não veio ...
Nas entrelinhas do tempo
Irei lançar meu destino,
Talvez se faça paixão.
Talvez se faça malino.
Vou buscar esta resposta
naquele olhar de açucena,
E quem sabe
noutro agosto
eu retorne as invernias,
junto aos braços da morena,
desfazendo as incertezas
que hoje habitam meu ser...
Estou partindo pra o povo,
Campear seus lábios de
novo,
E este sonho ...viver!!!