O ESPÍRITO INCESSANTE QUE HÁ NA ALMA DOS POETAS
Matheus Costa
O espírito incessante que há na alma dos poetas…
...voa livre nos caminhos, pelos rumos que escolheu.
É testemunha confesso dos resquícios da saudade...
...pois, sem ela, é só metade diante à tudo que viveu.
Nasceu num ciclo passado, de genuína bendição…
...fomentando a própria sina por sobre os passos do bem.
Igual à ele, é o homem que livra as cismas do peito…
...quando se espelha no jeito do bom exemplo de alguém!
Foi conhecendo as distâncias - seus encantos e vilezas -
tomando forma robusta junto à alma (aonde habita)
…E revelou seu idioma num silêncio inesperado...
...quando, enfim, foi batizado por entre as linhas da escrita.
...Daí, comungou da reza mais pura destes lugares;
Provando a fusão perfeita… deixando de ser disperso.
Contou seu primeiro fato, numa experiência concreta…
...e viu-se preso ao poeta, depois de findar o verso!
O espírito incessante que há na alma dos poetas…
...soube de amores e juras, que até nem pôde rimar.
Mas guardou junto consigo, mil segredos e desejos…
...pois, se o poema é um beijo, terá sempre à quem amar!
Visitou tantas ausências… dores, lamúrias e penas…
...como a cura disfarçada às chagas da solidão.
Por ser espírito vivo, não padece às incertezas…
...e é a vela - sempre acesa - no escuro do coração!
O espírito incessante que há na alma dos poetas...
...existe neste infinito, muito além do nosso olhar.
É um horizonte distante, entre as lonjuras postado…
...onde só de olhos fechados, conseguimos o enxergar!
Sofre, igual à toda gente destes campos e rincões;
…No breu das imensidões, se refugia e lamenta.
(Talvez por isso que o céu, depois de largas demoras...
...acompanhando quem chora, desabe em tom de tormenta).
Mas, logo, renova o viço… varre ciscos de ressábios…
...e volta, diante dos lábios, sonolento em noite quieta.
Até que ganhe motivos de sorrir e ser do mundo…
...compondo o verso fecundo que dá bom dia ao poeta!
Este espírito nativo, gêmeo do vento e da terra…
…em qualquer sonho se aferra com constante sintonia.
Dá forças ante o fracasso, traz esperança ao descaso…
...pois, viver um algo raso, ao homem não tem valhia!
Não teme a sombra da morte, afinal, se fez eterno…
- Poncho grosso dos invernos... Sombra, se o verão judia -
Guarda o feitiço indelével, claro e certeiro o bastante para pôr vida pulsante numa caneta vazia!
Já cruzou porteiras tantas, sem mesmo pedir “permisso”
carregando o compromisso de vigiar estes confins.
Do meu rancho sem vaidade, sabe todos os atalhos…
...e nenhum caminho é falho pra que ele chegue até mim!
Quanto me alegra a visita! Quanto o aguardo, pensando...
...por onde estará rondando, que até estranho a demora.
Mas quando chega, traz junto, tamanha paz e bondade…
...que dele sinto saudade, antes mesmo de ir embora!
E os muitos que não o vêem - pobres de aura e humildade - definham sob a vaidade que os guia e os dá a mão.
Desconhecem toda sorte de ter na essência terrunha…
...aquilo que a gente alcunha de luz ou inspiração!
Por isso que, pra o meu filho… além de um futuro pleno,
caráter justo e sereno - bençãos que a sina arquiteta -
Eu hei de pedir à Deus, que lhe conceda o bastante…
...e o espírito incessante que há na alma dos poetas!!