A DONA DA DOMA

Silvio Genro

 


 Aquela,

Não era a primeira vez

Que ele domava cavalos

 Lá na Estância da Caleira...

-No que escapa o Carumbé!

 

Quando se deu por gente,

Já andava pelo mundo

Domando potros alheios

Pra montaria dos outros...

 

De seu?

Só tinha os arreios,

Um rosilho bom de freio

E a fama de domador.

 

Mui conhecido de todos

E respeitado por muitos,

Era mal-visto por poucos

Que lhe invejavam o dom

De saber, como ninguém,

Tirar as “coscas” dos potros...

 

-E das chinocas também!

No mais...

O povo se encarregava

De romancear sua vida

E aumentar os seus feitos

No trato com os baguais.

 

...De um jeito manso que tinha,

De olhar os potros nos olhos

E prosear em silêncio

Co’a alma dos animais.

 

Aliás,

Mesmo feitiço que usava

Com as prendas que amansava

Pra tarca de seus romances...

 

Aquela,

Não era a primeira vez

Que ele domava cavalos

Lá na Estância da Caleira...

-No que escapa o Carumbé!