Herdeiros

Athos Miralha da Cunha

 

Cinco séculos de história,

De garra trabalho e dor,

É o povo trabalhador,

Na saga desta trajetória,

Traz no peito as vitórias,

Deste imenso Brasil.

Continente varonil!

De grandes e belas cascatas,

Extensas e densas matas,

Sob um céu cor de anil.

 

O talento de Aleijadinho,

Um artista sagrado,

Nos templos do passado,

Dando formas ao carinho.

E os negros no pelourinho,

Sofrimento e solidão,

Corrente, sangue e coração,

Que Castro cantou em verso,

Restando o único gesto,

Do homem tombado ao chão.

 

Tiradentes: Guerreiro.

Que lutou pela liberdade,

Pela paz e igualdade,

Neste solo brasileiro.

Este valoroso mineiro.

Um líder por excelência,

No despertar da inconfidência,

Nestas terras sem iguais,

Lutou nas Minas Gerais,

O mártir da independência.

 

Esta terra tem dono!

Bradou o legendário Sepé,

Botando as Missões em pé.

No sopro do Minuano.

Foi primeiro dos colonos,

Valente na luta crua,

Pelejando no clarão da lua,

Sofreu o derradeiro pealo,

No lombo do seu cavalo,

Quedou-se na noite escura.

 

E o Farrapo fez história,

Por liberdade também,

Buscando forças no além,

Na gana emancipatória,

Foram cobertos de glória,

Naqueles longos dez anos,

E foi um tratado pampeano,

Nas bandas de Dom Pedrito,

Ecoando o último grito,

Daquele gaúcho aragano.

 

Naquele árido sertão,

De Antônio Conselheiro,

Nasceu do povo brasileiro,

Como Cosme ou Damião.

E o Virgolino Lampião,

O maior cabra da peste,

Mapeou o Brasil agreste,

Com alma e armas de guerra,

Plantou homens na terra,

O cangaceiro do nordeste.

 

Somos herdeiros de Zumbi.

Farrapos e Inconfidentes.

Palmares e Bandeirantes.

Do índio charrua e guarani.

Iracema, Morotin e Imembuy.

Flores, Getúlio e Jango.

Maragatos e chimangos.

Herdeiros do sul e do norte,

Dos dezoito do forte.

E das glórias de outros tantos.

 

Meio milênio de luta,

E um futuro de esperança,

Na arte de uma criança,

Em rodas de reculuta,

No chão desta terra bruta,

Neste país continente,

Que sonhamos para frente,

Esta pátria verde amarela,

E pintamos de aquarela,

A paz pra toda gente.