PELOS
SONETOS DA GUERRA
Autor:
José Luiz Flores Moró
Declamadores:
Guilherme Suman e Thiago Suman
Amadrinhadores:
Daniel Lima,
Guilherme Vaiadas e Alexsander Suman
Quando a primeira vez que fui à
guerra,
Perseguia meus instintos de guerreiro...
De lança em punho...
Como quem não erra...
Só contava com Sepé
por companheiro...
De pele
escura, pelo sol trigueiro,
E a voz de índio... Que a batalha berra...
Mas pra não ter o destino de Sepé.
Me levantei do chão do Caiboaté
Pesando prós e contras na balança...
Deixei que ele morresse nessa glória,
Pulei direto em outra história,
Mas sempre peleando e... dê-lhe lança!
Quando da
segunda vez que fui à luta,
Batalhei por uma pátria em construção,
Fui epopeias e ideais de
uma disputa
Que abriu caminhos à espada e a facão...
Entreguei ao velho Bento uma nação
Conquistada no sangue e força bruta
E o leguei da maior
Constituição
Escrita nos farrapos de um recruta...
Quando
acuado nas notórias rebeldias,
Dei de
tréguas aos concílios de Caxias
Para sair vitorioso... Pelo berro...
Mas entreguei os brasões ao General,
E mergulhei
nas águas rubras do Seival
Saindo em outra rinha e... dê-lhe
ferro!
Quando da terceira vez que fiz batalhas,
Resolvi trocar de
lado e de valores,
Já não
buscava o ouro das medalhas
Nem defendia as causas dos doutores...
Mesmo assim fui degola e as navalhas
Que encenaram o“palco dos
horrores”!
Fui o estanho “caliente” das metralhas
Que Honório cuspiu no velho Flores...
E eu também me tapei de
picumã
Quando, lá na ponte do Ibirapuitã,
Fizeram uma
peneira do meu pala...
E só restou
eu me mandar a
deus-dará...
Seguindo passos do Leão do Caverá
Mas sempre entrincheirado
e... dê-lhe bala!
Quando da quarta vez que fui às cargas,
Levei um velho caudilho na garupa...
Entreguei o Catete ao Velho Vargas
Para uma pátria liberta e absoluta...
Envolvi quatro estados na disputa
E amarrei no Obelisco o “patas largas”...
Embora minha estampa bem matuta,
Fiz valerem meus munícios...
nas “amargas”...
Entreguei ao presidente essa vitória...
Como era ele para entrar na história,
Eu retornei ao Sul, como proscrito...
Sem brasões, sem troféus,
mas sem maneias,
Voltei campeando restos de peleias,
Dando de esporas no pingo
e...dê-lhe grito!
Quando da última vez que fui pelear,
Não encontrei caudilhos nem guerreiros,
Somente párias dispostos por matar
Pelas razões do ódio e do dinheiro...
Vi-me entre navios e fuzileiros,
Árdua tormenta de mísseis pelo ar,
Com armas de funestos bombardeiros
Envolvidos numa guerra nuclear...
Então juntei os ferros de mansinho,
Discretamente fui saindo de fininho
Em estratégica fuga diplomata...
E com bandeiras brancas
acenando paz,
Dei de rédeas, no flete, para trás,
Me mandei campo à fora
e ... dê-lhe patas!