A PIPA, A CACIMBA, E A ESTÂNCIA

Autor: Xirú Antunes
Declamador: Xirú Antunes
Amadrinhador: Eliane Brum Machado

A água azul da cacimba,
subiu a estrada da
sanga,
Matando a sede da estância,
Cantando um canto molhado,
Azulado de lembranças.

 

Ajunta de bois tigrados,
Repexando” com paciência,
Solitários, sem regeiras,

Pois sabem o velho caminho
Que “volteia” as
“caneleiras.

 

E o coador de estopa,

Vai coando a flor da água,
Enchendo “quartas” e “talhas,

As cambonas e chaleiras
Da cozinha da
peonada.

 

E é lindo o som da cambona,
Batendo o fundo da pipa,

“água pros lombos suados”,

Na “oreada” do meio dia,

Depois do rodeio parado.

 

Faceira lá vem a pipa,

Mais faceira é a cacimba,

De boca aberta azulada,
Engordando a pipa d água,

E a estância velha lá encima.

 

Mais outra pipa e mais outra,
Chacoalhando no “repexo",
Ringindo a roda sem graxa,

Que o tempo foi esvaindo
Nas partituras da água.

 

E é preciso mais água,

Que vem a safra da esquila,

E tem mais gente na estância,

E tem mais sede tangendo,

O barrigudo da pipa.

 

E é preciso mais água,

Água limpa e cristalina,


Que se encontra na querência,
Lá onde a
sanga viaja
Na
“tardezita” da pipa.