Sem Tempo

Caine Teixeira Garcia

 

Houve um tempo em que a saudade

Era um caminho...

Houve um tempo em que o caminho

Era esperança!

Houve um tempo em que a esperança

Era um moinho,

Movendo águas em meus bálsamos

De lembranças!

 

Porém, esse tempo por ser tempo,

Enfim, passou!

E da esperança, restou-me o

Dessas estradas...

Desfez-se o moinho, que não mais

Então, girou,

Transformando as águas em agruras

...e mais nada!

 

Maldigo o tempo, que por maula,

É traiçoeiro!

Fiel parceiro, de um grande amor

Que o é, também!

Me fiz refém de um lindo olhar

- tão feiticeiro -

E nunca mais encontrei o amor

Em outro alguém!

 

Ah, e esse tempo que é eterno

E tão fugaz!

Jamais se importa com um coração

Que é prisioneiro!

Só segue adiante, não se detém,

Não volta atrás,

E sem ter pressa, se vai cruzando,

Muy ligeiro!

 

Houve um tempo em que meu tempo

Era infância...

Houve um tempo em que meus sonhos

Eram verdades!

Houve um tempo em que habitar

Na ignorância

Tornava mais doce - e até bem-vindas –

As saudades!

 

Porém, a saudade, em grande parte,

Também é dor!

E se no amor é que enfim reside 

O que a alimenta,

Adentra o peito, sangra a alma e

Por onde for,

Vai vencendo a paz, para , enfim,

Virar tormenta!

 

Enfrento a força dessa saudade

Em meu desatino!

Se fui menino, o espelho afirma

Que não sou mais!

Eu quase aceito que ser saudade

É meu destino,

Peão dos dias, bem sei que o tempo

É meu capataz!

 

Ah, essa saudade, que é perversa

Mas quase boa,

Há muito destoa do que imagino

Por felicidade...

Traz para perto o inalcançável,  

Maltrata à toa,

Em seus labirintos, guia meus passos

À insanidade!

 

Desta solidão, eu bebo os goles

Vindos de um poço

De água salobra, sombria e turva,

Que não é mansa...

Carrego a sede de sorver o amor

E já desde moço,

Eu sei que o balde que traz tristezas

Jamais descansa...

 

Pelas varandas desses meus dias

Já quase findos,

E nos corredores das minhas horas

Já tão escassas,

Habita um silêncio, que fala alto

Aos meus ouvidos...

E uma ausência, que impiedosa

Ainda me abraça!

 

O velho tempo - cisma em ter tempo

De não ter paciência...

Num tranco largo, vai consumindo

O que há de mim!

A saudade é pago em que meu amor

Fez sua querência

Num sonho avesso a esses tempos,

Bem lá no fim...

Pelo horizonte, os sóis e as luas

Ainda adormecem...

E dia após dia, também acordam

Sem nenhum beijo!

 

Pobre de mim, homem sem tempo

 ... saudade e prece!

Feito de amor - e de amor desfeito

Em meus desejos...