A ÚLTIMA DANÇA
Carlos Omar Villela Gomes
Chegou
num tranco seguro
De
dono, líder, patrão...
Fazendo
contrapartida
Ao
tranco do coração.
Redemunhou caborteiro
Mirando
a luz do seu par...
Até a
hora certeira
Da
música começar.
Olhou
com olhar profundo
De
poço bem escavado...
De
água que vem pra o mundo
Lavar
estios e pecados.
Bebeu
os olhos da moça
Reinventando
esperanças...
Somou
o jeito e a força
Tenteando
a última dança!
A
gaita ditou o passo
E o
moço floreou sua estampa!
Dois
veleiros que insistiam
Em
criar coreografias
Navegando
ondas sonoras;
Nesse
mar de sentimentos,
Entre
brisas e tormentas
Escreveram
suas histórias.
Cada
passo deslizava
Como
as almas suspiravam
Serpenteando
no salão;
Dois
parceiros de verdade
Desafiando
a gravidade
Figurando
na amplidão.
Tantos
xotes e vaneiras,
Tantas
valsas, chamamés...
Tangaços bem compassados
Desenhados
pé por pé.
Foram
anos e mais anos...
Querências
e mais querências...
E
assim, dançando, suas almas
Criaram
sobrevivência.
Hoje
o salão mais singelo
Tem
cismas de mapa-múndi...
Mas
todo mundo é pequeno
Pra
luz que habita o salão.
Dois
parceiros de jornada...
Dois
amigos, dois irmãos!
As
cordilheiras mais altas,
Os
desertos mais bravios...
A
nuvem mais peregrina,
O
mais selvagem dos rios.
Remansos
enluarados,
Tempestades
de além mar...
Um a
um foram surgindo
Na dinâmica bonita
Que a
dança pinta no ar!
As
forças da natureza
Parecem
ter a certeza
Que o
tempo agora parou;
Cada sorriso
é um perfume
Que
alguma fada exalou...
A
dança... ah, sempre a dança...
Elemental
circunstância
Que o
moço sempre abraçou!
As
mãos são elos perdidos
Que se
acharam por aí...
Todos
os cinco sentidos
Palpitam
em frenesi...
Cinco
sentidos famintos
No
mais sutil labirinto
Que a
dança carrega em si!
O que
será deste agora?
Á
música vai embora
E os
parceiros também vão...
Cutucando
a nostalgia
Um peçuelo de poesia
Mescla
calma e rebelião.
Olhos nos olhos, parceiros...
Um
momento derradeiro,
Um
soluço de final...
A
vida segue seus trilhos,
Cada
um leva seu brilho
Pra o
céu da terra natal.
A luz
da última dança
Mais
que pompa e circunstância,
De
alma se aquerenciou...
E um
silêncio de saudade
Vestiu-se
de eternidade
Assim
que a gaita parou!