CERTOS
HOMENS...
Juarez Machado de Farias
Certos homens
conhecem a terra que se esconde
no chão de suas botas.
Conhecem a semente que brota
no campo a fora da existência,
são Martins Fierros
da esperança,
esteios firmes da Querência.
Afinam a voz no diapasão dos ventos
e descobrem a poesia que se
entranha...
no pergaminho transitório dos
momentos.
Compreendem a fragrância das estradas,
e, junto a eles, tantas noites se
enluaram
esparramando o poncho das estrelas
iluminando os caminhos que não eram
claros.
Esses homens
recordam ruínas jamais derrotadas.
E, ao invés de empunharem espadas,
afinam o mais doce violão
com as cordas do seu coração.
Sim!
Esses homens são ferro em brasa
no couro da História,
um legüero
rufando no chão!...
Montados em cavalos de entono e
bravura,
deixaram a vida no sangue
pintalgando a terra escura.
Morreram!!
E voltaram caraguatás,
que os homens sem flor esqueceram
pelos espinhos perdidos da paz.
Ah... esses homens,
certos de que a terra foi feita pros
braços,
que a paz foi feita pra todos,
que morrer por nada é afrontar a lei
do viver
sepultaram-se nos rumos,
onde cruzes de silêncio,
de quando em quando,
avistam um gesto de respeito:
- Um chapéu que se recolhe
da cabeça para as mãos,
de quem percebe o rastro da morte.
Esses homens certos de que a guerra
é a nuvem que esconde o alvorecer.
Alguns ficaram pra trás,
outros semearam filhos
que têm o mesmo rosto do pai.
Sim! Filhos campeiros, com hombridade!
Onde os corações, no rebenque duro
os fez sofrer cedo as dores da
severidade.
Esses filhos...
compreenderam a sombra taciturna
de suas mulheres e mães vítimas da
guerra
que assassina amores e utopias.
Mulheres vestidas de preto e de
pranto,
esteios de agonia nos ranchos,
varrendo terreiros,erguendo alvoradas frias.
La maula!!
Certos homens perderam-se das memórias
porque são muitas as histórias
e a verdade é sempre uma.
Não se encontram nos livros,
nem são os fantasmas de pedra
a quem chamamos "estátuas",
assombrando o agora das praças.
São esses homens...
que deixaram mulheres e filhos,
e sonhos e saudades...
que
conheceram a terra que se escondeu
no chão de suas botas...
e voltaram a ser ela própria:
- Terra feliz, farta de
sementes...
essência que alimenta novas eras...
no hoje, num amanhã...
...Nos tempos de paz ou de guerra!